O amor, segundo nós

a gente mistura as falas. as línguas. a sua com a minha.
mistura um mundo inteiro. português. francês. inglês.
sinto o coração fall in love.
o amor passar. so far.
enquanto eu fico, ele vai
saindo pelos dedos do mesmo jeito que um dia saiu pelos poros.

O que a gente não é

eu me lembro de como você me chamava
quando me segurava pelos cabelos
ou, pelo menos, eu imaginava que você me chamaria assim
se fizesse parte disso aqui
alguns elepês na vitrola desgastada
a garrafa de vinho aberta na sala
sujando meu tapete colorido
as cinzas do seu cigarro de sempre
do meu cigarro de nunca
hoje só as cinzas do que a gente virou
depois de tanto eu imaginar
você sentindo amor por mim
fiz poesias para ninguém
me extrapolei pra você
passei dos limites
não nomeei meus parâmetros
meus contornos, que você tanto falou um dia
passei da conta na bebida
na paixão por ninguém
no sexo por acaso
me perdi entre o que sou e o que nunca fui
pra você
por você
mas continuo sendo sua
toda
sua
toda
nua
sempre que você quiser
subindo os morros da sua casa
sem parar para respirar
olhando de lado pro seu sorriso de canto
ouvindo sua voz reclamar
entrando na sua casa
vendo suas paredes - verdes, talvez
falando algo sobre sentir e você entortando
um pouco a cabeça pra me ouvir melhor
eu repito: sentir
e sinto de olhos fechados tudo que não sinto quando olho pra você
e te peço
:me leve pra onde vive o seu sentir
mas já é tarde demais
os sentimentos ficaram encostados num lugar sem acesso
o vinho acabava
a música já não rolava
e eu, como sempre, transitando entre o que sou e o que nunca fui
pra você
por você

Um dos atos

No vigésimo terceiro andar, acendo um cigarro para tentar diminuir a vida e solto toda a fumaça na sua cara lavada, descarada e sem vergonha. Te seguro pelos cabelos e te empurro pro chão, porque o chão é onde você merece ficar. Falo - em voz alta o suficiente para você me ouvir e baixo o suficiente para o mundo te conhecer: Vadia! Te xingo, te bato e cuspo na sua cara: Vadia! Como eu posso deixar você me levar assim? Chuto o resto de você pro canto da sala e te quebro em diversos pedacinhos miúdos. Não quero mais ver seu sorriso imundo, seus dentes, sentir seu hálito perfeito. Não! Piso sem dó nos pedaços do seu corpo, enquanto vou até a cozinha. Acendo outro cigarro. Você, ali no canto, toda despedaçada. Olho pra você e rio, enquanto as lágrimas caem. O nariz escorre. O copo de uísque na mão. O cigarro se apagando. A cabeça girando. Olho pra mim: rasgado, bêbado, fedido: Filho de uma puta! – e, triste, rio de mim. Olho mais uma vez pra você e te vejo segurando as pernas com medo de mim ou com medo do nosso amor sair rasteiro pela fresta da porta da sala. Ouço você em lágrimas: Fica! No fundo de nós, a música que eu não queria. A vista daqui de cima é bonita, não é, meu amor? – eu disse bêbado. Olho mais uma vez pra você e você me pede de novo. Olhos vermelhos. Olho pra baixo e sussurro: não me deixe acordar sozinho, não me deixe acordar sozinho, amor - e voo livre por aí...

Para o amor - que ainda não me conhece

Ouve? Você ouve daí minhas gargalhadas? Estou rindo de você! Eu rio de você! Rio da sua cara na sua cara! Rio do seu nariz perfeito, do seu sorriso de canto, da sua voz fanhosa. Rio do gesticular das suas mãos, que levam anéis nos dedos do meio. Rio das suas pernas grossas e dos seus pés pequenos. Rio da fumaça do seu cigarro, que passa por mim e finge não me fazer mal. Eu rio do que me faz mal. Dou gargalhadas maléficas que não condizem comigo, porque o amor não condiz comigo. O amor veio e me provou que não condiz comigo! E agora eu grito! E então eu rio da cara do amor. Eu sobrevivi a noites insones sem, ao menos, sentir o calor dos amores passados, só para poder rir da sua cara. Eu não adormeci os olhos para poder, agora, rir de vo-cê. Rio do seu passado cansado, que rasteja por ali, volta por aqui e te machuca e te entrega e te deixa sem saída. O amor te transformou nas cinzas do seu cigarro mal fumado. Cigarros não fumados. Corpos não violados. Cigarros que estragam os corpos, mas enlouquecem o seu sexo. Eu não nasci pra perder! E eu rio de você!

Crie asas

Vista suas asas, amor, e voe pela janela
Amor não é só isso aqui
A terra não é pro seu corpo
A vida te convida para bater asas
Vá:
Leve voante rasante
Invente-se no ar
Movimente-se por lá
Vista suas asas, amor, e voe
Voe você voe eu
Vôo da noite sem dono
Te leva
E me leve, amor
Suave no vento: se leve pelo ar.

A sua mão sua

A sua mão sua. Eu sei que a sua mão é sua. Mas a sua mão sua. E eu não te amo mais justamente porque a sua mão sua. Você nunca vai entender nem porque eu não te amo mais nem porque a sua mão sua. Mas isso é verdade. Eu não te amo mais porque a sua mão sua. Pra mim, isto está claro. Eu não te amo mais porque você também nunca soube usar vírgulas. Mas agora que eu não te amo mais pode ser que você aprenda a usar vírgulas. Você sabe que eu prezo o português e que fui eu que te ensinou a usar as vírgulas. Mas eu nunca vou poder ensinar a sua mão a parar de suar. Eu já falei que pode ser psicológico a sua mão suar, mas, claro, você não me ouve. Você pode achar que estou ficando maluca, mas estou falando a verdade. O que? Louca, vagabunda e mentirosa? Sim, eu sei disso tudo. Mas, por favor, eu preciso ressaltar, porque você pode não entender: eu não te amo mais porque a sua mão sua. Sua mão, sua seu pé, sua nuca, seu cabelo, suas costas, suas pernas. Eca! Tudo em você sua e é tudo seu. Tudo, tudo, tudo sua. Você sua. Coisa de maluco isso! E eu não sou sua mais. E não vou ser nunca mais de ninguém que a mão sue. Eu não gosto de pessoas suadas. Quem sua está sempre assim... melando. Suando. E ando, ando, ando... Eternos andos de suando. Meu deus! O que é isso? O que é todo esse vapor? E esse espelho? Meu deus, e esse amor?

Confabular-se

Confabulando-me
te grito um grito atravessado
sem força, rouco e calado
coberto de expressões que meu rosto faz
e aí eu me faço e te faço também
ao te ver leve rua afora
rua e sol afora
sombra e sol lá fora
te solto sem pára-quedas
num abismo delicioso que é o mistério
e sussurro em seu ouvido:
Voe, amor.
Confabulando-me
Caio numa dessas solidões sublimes de ser e viver...

O amor dos dois

O amor dele era um amor negro. O amor dela não tinha cor. Ela sempre olhava o amor assim por sempre amar demais. É aquela história de limites e definição, ela dizia. E amor não deveria mesmo ter cor. Nem cor nem tamanho. Só cheiro... Mas o que são aquelas cores misturadas no medo de ser o amor de alguém? Amor, não é? Então! E ela podia correr para o corpo que quisesse, mas sempre voltava para o mesmo colo. São os círculos da vida. Ele não sabia de amor até conhecê-la. Ela não sabia de amor até conhecê-lo. Nem ela nem ele nem Deus sabiam. Existia ali naqueles olhos um medo de amar demais. Naquele dia, ele virou para ela e disse: agora é primavera, amor. Deixa eu falar sobre as flores de hoje. Não existirá mais um coração em migalhas nem suor depois da cama nem pó de amor depois da cama, ele prometeu. Ouvindo aquilo, o coração dela batucava por debaixo do vestido curto e colorido, mas ele não notava o tamanho do vai e vem descompensado do peito dela. Ele não entendia muito de tamanhos e de cores. Só de cheiro, só dos cheiros dela...

Para Heitor

Ah, Heitor,
solidão mata!
Solidão de olhos aflitos e tristes:
devoram-se.
Não, Heitor, não quero ser consumida por eles,
medíocres, hipócritas, mentirosos! Inventores de vida!
Inventaram também a minha solidão!
Mexeram na dor de um passante.
Eu passei por ali e gritei com o peito doído: Fica!
Fica, Heitor, meu amor...
Me devora, você,
mas me devora com esses olhos pretos, primeiro.
Aflitos e tristes. Presos no seu túmulo de carne e osso.
Me come, Heitor! Começa, assim, devagar,
como quem não quer nada,
me começa pela boca e depois
desce.
Vem, Heitor, meu amor...
Vem que eu amarei pra sempre esse seu sabor de lembranças tristes
que ontem me fez sair por aí e sentir na pele a hipocrisia solitária da vida.

Samba do descaso

Lá lá laiá lá laiá 
lá laiá la laiá
ô ô ô ô

Tudo que é demais sobra, Iaiá.
E eu sabia que com a gente também seria assim.
Um dia o orixá me disse:
pra tudo tem que ter equilíbrio, 
porque
Se vira amor, sobra dor.
Se choveu, já gripou.
Esfriou? Cadê meu cobertor?
Se é você, sobra descaso.
E a gente descasou.

Lá lá laiá lá laiá 
lá laiá la laiá
ô ô ô ô

Meu amor,

Você disse que nunca morreria dentro de mim, mas eu preferia que fosse ao contrário. Meus dias têm sido cansativos e repetitivos. São cinco e meia da tarde e eu ainda não tomei banho. Fico lembrando de como era bom acordar com você, mesmo em dias nublados. Hoje quando abri os olhos, te vi olhando pra mim ali do porta-retratos. Esfreguei os olhos e você continuava lá com essa cor castanha, os olhos grandes, me observando como se estivesse na cama comigo. O relógio tiquetaqueou perto do meu ouvido às seis da manhã. Parecia uma bomba querendo me avisar que você foi embora na hora errada e que a vida, de agora em diante, seria assim. Ando com os pensamentos entalados na cabeça, verbos parados na garganta e sorrisos que só chegam à metade de mim. A vida anda triste, me mandando recados pra continuar, me empurrando pra viver, mas sabe quando o corpo não movimenta e sorrir dói e olhos não querem abrir? Não sei quantas horas da noite passo olhando para o teto tentando entender esses sinais. Vai, diz ela pelo vento. Vai, diz ela pelas alegrias perdidas na rua. Vai, diz ela pela lua. E eu levanto, lavo o rosto, me encaro no espelho manchado e prometo ir. E prometo e repito pra dentro de mim, baixinho, com fé, pedindo a Deus. Dedos cruzados para que dessa vez dê certo. 

Buhr III

O verde nos seus olhos
me faz acreditar que a
nossa esperança ainda não cansou.

Solidão:

Sobremesa de você.

Vida

Comer a presença
desse sofrimento que me faz ir
e ir.

Buhr II

Eu não sei direito o que era,
mas tinha você ali no meio de mim
caindo junto com a vida
enquanto o sono não vinha
e a morte chegava.

Buhr

Nossos corpos confusos de tanta esperança
- cansada
ainda respiram fundo
fazendo a boca engolir tudo o que a pele de fora não mais sente
:o pó que a vida virou.

Perto do coração selvagem

Eu só queria começar Clarice Lispector quando a vida me tirou o amor e tudo que ramificava dele e me trouxe a dor sem companhia. A parte louca dentro de mim tenta esquecer aquele seu sorriso. O sal machuca a pele do rosto te vendo assim.


A solidão da cidade

Escondo essa tristeza de mim fingindo sorrisos pela rua.
A moça da frente sorri.
Um cara toca gaita.
O homem ganha uns trocados ali.
Olho pra você e te vejo, assim,
sorrindo também.

Meu amor,

Ainda ouço sua voz cantando baixinho i get kick out of you. Eu sempre respiro fundo e tomo aquele meu remédio que você não gosta. - Vê? Ainda falo no presente. - Bato com lágrimas os olhos no relógio: zero horas! Já está na hora da hora da solidão. Isso existe? Eu não tinha ideia. Agora a solidão marca a hora de me ver. Eu não sabia que ficar sem você seria assim, amor, com solidão marcando hora. Talvez a partir de hoje os dias ficarão mais lentos. Eu sinto. Não é assim quando a gente sofre?

Meu amor,

Sinto neste momento meu corpo reagindo a sua ausência e você está tão presente aqui dentro de mim. Você nada neste mar que tanto chorei pra dentro e por sua causa hoje convivo com excesso de sal. Logo você que disse que a vida era doce levar. Me diz por que me sinto tão vazia quando penso em você, me diz? Aproveita e me ensina a parar de inventar esses amores que me consomem, me congestionam, me entopem. Que sufoco passar os dias sentindo o estômago e exigindo demais dos pulmões. Que sufoco sentir seu cheiro e abrir os olhos e ver outros olhos, que não os seus castanhos. Não bastava a solidão das músicas, dos seus livros preferidos? Não sei o que é desamor. Não sei sentir isso, meu amor. A vida não me ensinou a ser assim. Sou tola, esqueceu? Você ria doce. Ria tanto. Os olhos pequenos, os ombros curvados, as mãos no rosto e a dificuldade de voltar a bochechas ao normal. Parecia feliz. Estou triste.
Senti seu perfume chegar em mim enquanto subia as escadas daquele prédio cansado. Ninguém me disse que esse cheiro estaria me esperando com um vestido de frô rosa, que começava lá debaixo e subia até cá em cima no peito. Abri a bolsa, peguei uma pomada e passei na pele doída pra tentar distrair o cheiro que vinha junto, porque eu já tinha um calo bem aqui no meio, perto do pescoço. E você me cheirou inteira e eu, por medo, te pedi pra olhar pra janela porque a vista do prédio é tão bonita que a gente podia esquecer de sentir o cheiro que invadia nossas narinas e seguia o caminho do peito. Mas quem foi que ousou pensar que esse cheiro a gente consegue disfarçar? E quem diria: você sussurrou bem perto aqui do meu pescoço, uma mão limpando a pomada e a outra empurrando meus cabelos pra trás: amor chega pelo cheiro, sente?

O amor que você quer

Eu me despi inteira e te ofereci meu corpo. Você preferiu ficar com as roupas que estavam no chão.

Ser e os segredos II

Ô moço, não joga seus segredos no vento assim, não, porque é aí que se perde o mistério de ser.

Ser e os segredos

Ninguém ousa contar sobre o verdadeiro eu contido dentro de um corpo. Aquele segredo que não vaza pelos poros, que não exala no suor. Aquele segredo que não tem cheiro. Aquele das entrelinhas de ser. Ninguém ousa falar sobre aquilo que não se conhece. Ser é segredo de todo mundo. Inclusive, de nós mesmos.


A sujeira da lama

Ah, se essa lama em que eu me sujo se chamasse amor e se esse amor fosse louco e doce e amolecesse meus pedaços, minhas mágoas, meus rancores. Ah, eu jogaria pro alto o relógio com seus ponteiros enlouquecedores de vidas. Eu riria com os olhos pequenos dos desamores passados e inventados pelos poetas da madrugada. Olharia com graça as belezas miúdas dessa cidade imunda. Eu daria gritos. Gritos verdes. Verde e rosa. Azul e branco! Gritos de escola de samba. Se essa lama em que eu me sujo se chamasse amor, ah, eu seria outra. Seria sua, seria minha, seria duas, seria inteira, seria um par, seria ímpar. Ah! Se essa lama se chamasse amor, meu amor, a gente se cobriria com os mesmos pedaços, na mesma cama, todas as noites, noites inteiras, preguiçosas, cheias de sussurros e cheias de segredos. Ah, se ela tivesse esse nome, meu amor, meu amor! Eu me debruçaria sobre seus ombros e teria uma vista diferente da vida. Ela viria acompanhada pelo cheiro da sua pele, pelos seus braços, pelos seus pés me segurando firme. Meu amor, era assim que seria se essa lama em que eu me sujo se chamasse amor, era assim que seria... Eu juro pelas cores do meu quarto, pelos livros na estante. Eu juro por mim, aqui e agora, vazia, oca, incompleta, insignificante.

Carta

Eram seis da tarde quando você veio me buscar. Percebi que há muito tempo não ríamos uma da outra. Não misturávamos mais risos e palavras, olhos e desejos, briga e sexo. Nem perna, nem cama, nem noite, nem sono, nem saliva. Me disseram, uma vez, que almas não se separam, mas já andávamos como duas almas separadas pelo barulho da cidade e pelo silêncio entre a gente. Naquele dia, tudo foi diferente. Rimos – será que fizemos o contrário? -, andamos de mãos dadas, trocamos gestos e carinhos. Chegamos a ser um. Ventava, mas não reclamamos do tempo. Nossas conversas no fim do dia balançavam-se entre um beijo e outro, entre um aperto e outro, entre aquele momento, que parecia o início, e o fim. Sua voz delicada não saiu quando chegou a hora de pedir pra eu te esquentar, pra eu ficar pra sempre com você, pra continuar te amando. A minha voz não saiu pra te pedir pra não ficar longe de mim, pra te chamar pra ir comigo descobrir como que se faz pra prolongar o tempo quando se ama alguém que não se quer perder. Nas despedidas as pessoas não riem, meu amor. E era despedida, a gente sabia. Parecia que eu tinha acabado de levar um tapa na cara quando emudecemos. A gente se olhava como se tudo estivesse pronto pro adeus, menos nós. Era o fim. Adiamos nosso abraço com medo de ser o último. Saí com pressa de silêncio, de reconstruir minha alma. Nesse dia, fomos felizes por três horas e nunca mais.

Jazz

A melhor parte da nossa brincadeira é quando você levanta seu vestido e me chama com os olhos.
Até o tempo faz festa.
Enquanto você dança, te olho com olhos de saudade.
Seu corpo coberto por panos decorados
um sorriso emendado na canção
seus pés...
ah, seus pés
nus...
(feito como eu te queria inteira)
E você nem sabe que eu já não tenho mais por onde entrar,
que já não tem o que sair daqui,
que esse sol me sufoca
até a ponta do nariz.
Faz calor dentro de mim, meu amor.

Sobre acordar triste IV

O pior efeito das lágrimas é o da inundação. Essa sensação de que você não consegue levantar o braço pra pedir socorro, porque está afogado em tristeza. E você segue o caminho das águas e só sente, sente, sente, mas não consegue perceber que, na verdade, você já morreu por falta de doce dentro de você.

Janeiros

Era pra esse janeiro ser leve.
Leve feito o rio vermelho que mantenho dentro de mim: nem sinto.
O vento sopra as flores, faz as roupas no varal dançarem,
passa as páginas do livro,
faz meus olhos arderem: é este mundo de poeira.
Ah, esse nosso amor livre como o sopro de um homem na flor do campo.
Me leva nesses seus braços
pra um mundo que anda ao contrário deste.

Três

em outros janeiros,
as flores costumavam ser mais alegres.
nesse, meu coração já não suporta -
pede trégua
eu pensei que nosso amor, ao contrário de mim, tivesse saúde.
eu, você e o amor: o trio de tristezas.

Em meio à urbanização.

.observa, olha, corre, sente, respira, espera, pára, vermelho, rebeldes, amarelo, freiras, verde, livres, alunos, sinal, céu azul, sambista, pivete, malandros, velhos, crianças, escolas, rock, trabalho, pessoas, ônibus, pressa, passos, relógio, gente, carro, grama, praça, Álvares Cabral com Bahia:
Ele lê Caim.
Álvares Cabral com Bahia: praça, grama, carro, gente, relógio, passos, pressa, ônibus, pessoas, trabalho, rock, escola, crianças, velhos, malandros, pivete, sambista, céu azul, sinal, alunos, livres, verde, freiras, amarelo, rebeldes, vermelho, pára, espera, respira, sente, corre, olha, observa.