Vírginia

seu nome enche minha boca
de saliva
de vontade
de gozo
da boceta até 
a ponta da língua
o desejo anunciado
de que cada
letra me faça tremer

você me rodeia

roda a saia
aparece a calcinha
roda a roleta
vencemos o jogo!
roda gigante
avistamos a chuva
você me rodeia, mas
fica a vontade desses
finalmentes
perde-se por dentro
enlouquece por fora
escreve de comprido
no braço: saudade
na perna: permanece
a boceta pede: mete
mais e mais e mais e vem
o gozo das palavras na cara
na sua cara o que tem?
não entendo nada de armas
mas sei:
estão me atirando inverdades
já são nove e quinze da noite
do dia dezesseis de dezembro
ainda sinto o gosto de sangue na boca
problema de quem prende palavra no corpo
depois de sete dias, sua memória começa a apresentar falhas
não se lembra aonde te comi de quatro 
nem como foi que, de repente, cheguei com a língua no seu cu
não faz ideia de quando fumamos um beck pela primeira vez
você não está nem aí mais se transei com outra naquela noite de carnaval
depois de exatos sete dias, sua memória começa a fazer isso
é segunda-feira, quinze de agosto de um ano que não faz mais diferença
acordei dentro de um buraco fedido com palavras soltas 
pulsavam feito meu pau com saudade da sua boceta
escolhi as mais sujas e miseráveis
e fiz com elas o único poema que você me deu