Dias inteiros

O azul do céu tem confundido as cabeças de quem passa por aquela rua. Não se sabe o que vem por aí. Tem chovido tanto ultimamente. Tanto fora e tanto dentro. Sempre tanto. Todos se perdem por essas ruas pensando no desencanto que a vida traz. Leve, o vento exercita sua força diária levantando o pó da vida cansada e as migalhas de esperança enjauladas bem no meio dos frágeis corpos passantes. Pensantes. E todos querem não acordar no próximo nascer do sol, não sustentar a mente na confusão dos passos rápidos, mas a chuva ainda cai, o ar ainda existe. E as lágrimas transbordam antes do primeiro passo e secam antes da primeira vista da vida - que espera: um grito, um suspiro, um sorriso. Mas ela, a vida, machuca e a gente sente.

e continua a viver.

Sobre o frio e você VI

Tem faltado ar
tem faltado fôlego
tem faltado calor
abraços...
o moletom tá guardado.
De sobra, o frio.
No próximo inverno,
nada de amor.

Sobre estar na minha pele

Me falaram sobre a saudade
dos olhares
os beijos
nos mares
o fogo
pelo ares
as bebidas
nos bares.
Esqueceram de falar que a saudade
não morre
que a saudade
consome
que a saudade
vive dentro de uma pele
que queria ser sua.

Não é mais

Era de você
o meu melhor querer
era de você
os meus braços abertos
era de você
o meu sorriso mais largo
o copo mais cheio
meu corpo e pecado

Era pra você
a armadilha que eu cobria
era pra você
a chuva que caía
era pra você
os meus vestidos floridos
o sol que invadia
a cama colorida

Hoje a dor é minha
ninguém nessa casa mais sorri
os móveis se perderam no lamento
no copo vazio
no corpo caído
no vestido no chão

Não tem flor
não tem sol
não tem manhã
tem querer
só meu

só eu
só eu
só eu

Volta

O relógio na parede marca horas sem te ver.
O relógio da cidade marca horas sem te ver.
O relógio de pulso marca horas sem te ver.
Do relógio do peito nada se ouve, nada se sente.
Perdeu as contas, perdeu as cordas.