E você me perguntava como eu conseguia te amar tanto. E tudo que eu esperava era que você não fosse embora. Nem no amanhã nem no depois de amanhã e nem no ontem. Tudo que eu queria era poder te chamar de meu amor pelas manhãs, em que eu acordava e contemplava o silêncio das sete. E de todos os meus desejos o que mais sobressaía era o de te amar pra sempre. E você foi, sem pedir licença, meio que me empurrando pelo caminho, me jogando contra a parede. Em câmera lenta pra sentir mais ou pra doer mais. Tanto faz. Saiu atropelando toda uma vida. Nossa vida. E o que dizer disso tudo, sendo que todos os dias eu acordo às sete, sob o calor do meu edredom, gritando “meu amor” pro meu reflexo no espelho?
Alcoólica
Se eu beber e for atrás de você,
por favor,
bata a porta na minha cara.
Se me deixar entrar,
sou incapaz
de esquecer o que tinha dentro
da casa e
de mim.
E se vou embora
com a vista da porta,
posso apagar seu rosto
do porta-retrato da mente
rabisco seus lábios no espelho do meu banheiro
e rasgo o resto de sentimento
no escuro da minha cega embriaguez.
"Você não está entendendo nada do que eu digo"
Não fico por aí fingindo que tempo não é dinheiro
e que meu sorriso não é amor.
Eu entendo de um monte de coisas – meu caro coração:
de poemas, ciúmes, flores, gritos
– e alguns tiros no escuro
que a gente teima em dar,
de algumas palavras que a gente teima em calar
ah, e de perdões também.
Não engano comigo.
Não me engano com o que eu sinto.
É coisa sua.
É coisa sua
isso de me deixar nua
me pôr de quatro
me colocar de costas
me fazer de brinquedo
e depois - rindo
ir embora.
Música: Relator - Scarlett Johansson
isso de me deixar nua
me pôr de quatro
me colocar de costas
me fazer de brinquedo
e depois - rindo
ir embora.
Música: Relator - Scarlett Johansson
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