Um copo de água, por favor.

É um castigo quando meu coração bate em outro tom e a noite se perde entre as estrelas. Eu passo a manhã – talvez a tarde também. A noite, não, porque seria agressivo, ou até mesmo abusivo, do amor – segurando meus erros.
Me seguro engasgando com a falta de força de um grito ou outro, ou com um nó mal dado dentro da minha garganta. Sinto-o palpitando, querendo sair de mim.
Culpa desse maldito abandono que me pega desprevenida. - Penso: em sonho é hora?
Talvez seja esse desamparo parado em meu peito ou um soluço que tem o seu nome que, vez ou outra, resolve afetar a doce parte de um afeto tão improvável.
Te peço um copo de água.
Por favor! É pra me desembaraçar. Tirar as borboletas da minha garganta. O impulso dos meus dedos. O compasso que o seu sorriso faz dentro da minha cabeça. A rima de uma poesia perdida pelo caminho.
Não – você responde.
Abusada!
Durante o dia, um vazio se forma dentro de mim. Acumula. Os impulsos me abraçam. Me travo.
Amanhã é outro dia.
Suspiro aliviada.

5 comentários:

Nobody Go. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
C. disse...

"Eu passo a manhã – talvez a tarde também. A noite, não, porque seria agressivo, ou até mesmo abusivo, do amor – segurando meus erros."

isso é de uma simplicidade e verdade tão grandes que é difícil perceber, sabia? vc percebeu e soube escrever. ficou lindo.
um xêro
=***

identificação. compreensão. melancolia. alguma esperança. tudo.

Jessica. disse...

Amanhã é outro dia. mas eu preferiria terminar o dia de hoje, diferente.

=)

Beijinho

Gabriela disse...

que amanhã não seja apenas outro dia, mas que seja diferente!

beijos sumimos né?

simone disse...

Simples e lindo. Amo ler o que vc escreve, pq sempre me perco dentro dos seus textos...