Coração bêbado II

Meu coração bebeu demais
tomou porres de você e
agora soluça esse amor
D e s
c o m
p a s s a d o.

Logo vi.

Não tem conserto
este meu desejo
de te querer
todo minuto
cada segundo.
Logo vi
que era pra ficar
martelando no peito
feito coisa pra sempre.
Logo vi.

"guardo inteira em mim a casa que mandei um dia pelos ares"

Tristes minutos determinam o inicio da minha dor. Está chegando a hora do fim. Fecho os olhos na esperança de ouvir distante o murmúrio da lua se colocando entre as estrelas. Me encaro no vidro embaçado pelo meu próprio fôlego e deixo cair sobre meu peito meus dedos encharcados de aflição. Insisto em buscar uma fresta fresca para repousar meu tormento. Existe dentro de mim um buraco que fica entre a pele das costas e a pele do peito. Não há sangue frio correndo e nem batimentos. Existe lá dentro meus gritos ressonando em total furor. Canso um pouco da minha própria presença. Deito na cama e, sem permitir que meus cílios se encostem, durmo o sono dos injustiçados pelo amor.

começo.

O café está pra terminar
as luzes do dia pra acender
as cortinas pra se abrirem
as gavetas ainda estão vazias
as palavras nem se falam.
eu, sentada à mesa, tentando começar
quiçá com vontade,
sentindo a peso do mundo. – como machuca!

Alguém.

Brinco com meus eus
nos seus.
Embolo nossas pernas,
te faço um carinho
e acredito no amor.