o rabo do gato ficou pra trás
varrendo o que ficou 
caído no chão enquanto 
o corpo carregava já
na frente memórias do 
amor que ainda nem é
eu queria mesmo era conseguir 
não falar sobre os gatos
mas os gatos parecem 
palavras que acontecem assim
de repente
fico imaginando você
pelas ruas de São Paulo
brincando com gatos
abrigando saudades
e tentando entender
se esse amar é
mesmo amor

'o tempo livre, a poesia e a paz: onde se encontram as três estórias?'

no hiato de quando somos. 
nas palavras que voam da boca.
em línguas desconhecidas.
no incompreensível da vida.
onde nada se alcança.
onde a gente tudo entende.
bolo algo para dizer a você
mas embolo todas as palavras
no céu da minha boca
travo os dentes
o freio da língua silencia
as letras que formam 
o tudo 
e tudo, hoje, parece 
o nada
e esse nada desce ferindo
minha garganta seca
como a fumaça do cigarro
que fumo para estar só.
eu queria te dar o vento
que passarinha dentro de mim
ou deixar transbordar
esse rio de poesias em você
mas coloquei tapumes na margem
e estou só. no meio.
ao meio permaneço dando braçadas
nessas águas.
encho o peito de ar
prendo o fôlego me afogo
me perco entre o movimento
que o vento faz. estou em pedaços. 
mas eu também volto.
volto
e já não sei se sou Ana ou Mariana
só sou uma quando sou a outra.
me desculpe
mas ainda não sei escrever sobre
alguém que não seja nós.

Você x Eu

você celebra. eu danço.
você tempo. eu vento.
você palavra. eu poemo.