Uma pousou no meu vestido
outra entrou no meu estômago
mas me disseram que elas ficam
bonitas mesmo
quando dançam na sala.
mudança de comportamento II
passei a ser
um muro de lamentações
e preciso
assumir minha dor agora:
- dói!
eu não sei o
que em mim ainda sente.
temo viver
dessa dor o resto dos meus dias e
ou até que
minhas respirações incompletas
e forçadas
se esgotem de
continuar.
o que eu
preciso é apenas continuar
e continuar e
continuar...
sentei num
ponto da cidade
cheia de
olhos esbugalhados e desatentos
e acendi um cigarro
– entre tantos que passei a fumar.
uma garotinha
de uniforme me olhava
e eu disse:
não fume:
cigarro faz mal.
mas não ame,
principalmente.
Necrólogo para o amor
Parei para te ver passar
como quem ultrapassa o vermelho
do medo
e o coração, de susto, salta pela boca.
Arregalei os olhos para o triz
que a melancolia se fez diante do meu corpo parado.
Vi que não há em mim nada mais
do que uma sepultura de amores
e tristezas
e uma vontade de que o corpo adormeça
nesse mesmo cemitério
de ossos que confessaram,
num domingo à tarde,
sentir amor.
Amor anticarnaval
Fui recolhendo o que
deixamos pelo caminho desde o nosso primeiro encontro. Entre o maço de cigarros,
o Cazuza, deixando a gente sempre tão down, e o seu prendedor de cabelos, que tinha
ficado comigo na noite passada, tinha também uns olhos tristes, acostumados a
sofrer por amor.
Ontem, eu te convidei pra vida.
Você não aceitou.
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