Eu vou viver fugindo, correndo, mergulhando e gritando. Eu vou continuar vivendo esse desespero, esse extremo não correspondido, essa tormenta que não passa, essa rejeição ao amor. Ah, esse seu amor ao avesso que não deixou a gente ser. O inverso do amor que apareceu e tomou conta do que a gente era. Mas tava ali, eu vi nosso amor chegando devagar. Foi como se entrasse em casa e colocasse os Talking Heads no som, pegasse as taças, o vinho e, depois, me tirasse pra dançar.
Num mundo onde amar é cada vez mais out eu só queria você cada vez mais dentro e, mesmo assim, você se foi. Você se foi e levou todas as minhas palavras, levou minha voz, minhas manias, meu jeito de escrever. Levou toda a minha vida para viver dentro de você. Cada vez mais out. Cada vez mais longe. Sobraram alguns livros e alguns cds - o meu preferido dos Talking Heads você também levou - que eu juntei com a solidão.
Alguns livros, alguns cds, a solidão e o resto da vida é tudo o que trouxe pra minha casa nova. Tá faltando a esperança, mas dizem que essa é a última que morre. Devo encontrá-la debaixo de algum copo ou prato sujo na cozinha, atrás da televisão empoeirada ou até mesmo entre uns olhos e uns óculos que não querem enxergar um novo começo. É uma doença, eu sei. O amor é mesmo uma doença. Enquanto isso, continuo me escondendo dele. Em silêncio. Estática. Sentada na cadeira, ora lendo um livro, ora ouvindo uma música. Ora conversando sozinha, ora levando a vida e sendo somente quem eu lutei a vida inteira pra não ser.
3 comentários:
"Quando soa o gongo, somos apenas duas solidões" (Alberto Pucheu)
desejo tanto que dias mais leves cheguem logo pra ti...
:)
um beijo!
Te dou um abraço colorido e toda a compreensão do mundo.
O amor é uma doença.
Dessas que é melhor não curar nunca.
Tudo por aqui tão out. Você tão dentro de mim.
Te amo.
:*
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